15

Assisti a uma video aula onde é dito que todo método é obrigado a passar o parâmetro self na definição do método, como no exemplo abaixo:

class Complex(object):
    def __init__(self, real, imag):
        self._real = real
        self._imag = imag

Este exemplo retirei daqui. A única explicação que achei nessa página foi esta. Mas não entendi o que o autor quis dizer.

O primeiro argumento do método é sempre referenciado no início do processo. Por convenção, o primeiro argumento do método tem sempre o nome self. Portanto, os atributos de self são atributos de instância da classe.

Em Java, que é uma linguagem com a qual já sou familiarizado não há essa necessidade. Alguém sabe o porquê dessa obrigação em Python?

15

Apenas uma convenção para deixar explícito a instância do objeto dentro da classe.

Python é uma linguagem que foi criada inicialmente com o paradigma funcional. Com o tempo foi colocado suporte para código orientado a objeto, que é outro paradigma. Na época os autores decidiram que deveria ficar explicito a passagem do objeto a que pertence a função que está sendo chamada quando a função pertencer a uma classe porque o foco da linguagem eram as funções. Assim convencionaram que seria o primeiro parâmetro e o nome seria self.

Vou criar uma história fictícia de como o seria o pensamento dos autores do Python, mas é apenas uma brincadeira para ilustrar e tentar dar um entendimento que faça mais sentido que apenas uma convenção.

Suponha que eu queira escrever várias funções comuns para um certo objeto, que no caso do Python pode ser um dicionário simples.
Dessa forma, ao chamar cada função que eu escrevi, teria que passar para essa função esse objeto e em seguida os parâmetros propriamente da função. Exemplo:

item = {'qt': 10, 'nome': 'Banana', 'preco': 12.20}

def Desconto(objeto, percentual):
  objeto['preco'] = objeto['preco'] * (percentual / 100.0)

E para chamar a função:

Desconto(item, 10)

Vamos dizer que eu monte uma série de funções que trabalham em cima do mesmo tipo de objeto. Podemos dizer que eu criei uma classe de funções. Para efeito de organização vamos convencionar que o nome das funções passam a ser NomeDaClasse.NomeDaFunção(Objeto, Param1, Param2, ...). Eu teria algo do tipo:

def MinhaClasse.Funcao1(Objeto, Param1, Param2, ...)
   ...
def MinhaClasse.Funcao2(Objeto, Param1, Param2, ...)
   ...
def MinhaClasse.Funcao3(Objeto, Param1, Param2, ...)
   ...

Agora, sempre que eu quiser chamar uma função basta identificar a classe e saber que o primeiro parâmetro sempre é um objeto de um certo tipo que aquela classe de funções entende.

Se eu convencionar que no meu código fonte eu posso escrever esse conjunto de funções de uma forma diferente, por exemplo, para não repetir o nome da classe no nome da função, vou colocar assim:

class NomeDaClasse ()
   def Funcao1(Objeto, Param1, Param2, ...)
     ...
   def Funcao2(Objeto, Param1, Param2, ...)
     ...

Quando eu quiser chamar a função dessa classe, eu continuaria a fazer:

NomeDaClasse.NomeDaFuncao(Objeto, Param1, Param2, ...)

Só que como eu criei um jeito bem parecido com a estrutura de classes da OO, então eu poderia dar um jeito de criar uma forma de passar os atributos do meu objeto em um inicializador, que eu também vou convencionar com um nome bem diferente, por exemplo, __init__ e através dele eu passo os valores dos atributos do meu "objeto" e crio uma única instância dessa classe. Tudo vai ficar muito parecido com as classes e objetos da OO.

Eu também vou convencionar que posso chamar as funções do meu objeto com uma sintaxe mais simples, por exemplo:

MeuObjeto.MinhaFuncao(Param1, Param2, ...)

Como eu simplifiquei tudo mas não quero que o programador saiba que tem coisas implícitas nessas minhas convenções, vou manter na assinatura das funções dentro da classe um nome especial, que vou chamar de self para indicar o parâmetro que é o objeto da minha classe. Ao fazer a chamada, internamente meu compilador faria o seguinte:

MeuObjeto.MinhaFuncao(...) => MinhaClasse.MinhaFuncao(MeuObjeto, ...)

Assim eu facilitei para o programador que pode usar uma sintaxe bem parecida com a sintaxe da OO e como minha linguagem é funcional, vou deixar explícito para essas convenções que eu fiz, deixando o nome self dentro da assinatura das funções dentro da classe.

8

Se você seguir o Zen do Python você verá que em Python: Explícito é melhor que implícito. E isso é levado muito a sério em toda a linguagem e em todas propostas de novidades para ela.

Da mesma forma que você precisa passar self nos métodos de instância, você também não pode omitir o self. quando acessa os métodos ou variáveis de instância. Você pode enxergar isso também pela lógica oposta: linguagens como Java e C# inventaram essa palavra reservada this que nada mais é do que um argumento escondido para uma função que foi declarada como método, representando o objeto atual.

Essas escolhas no design da linguagem Python possibilitaram não ser necessário criar uma palavra reservada para representar esse argumento implícito dentro dos métodos. Desta forma os métodos funcionam exatamente igual a todas as outras funções. Inclusive você não precisa chamar o primeiro argumento self. Pode ser o que você quiser.

Depois dê uma lida na história por trás da sintaxe de classes.

  • +1 para o The Zen of Python – Pagotti 19/01/17 às 10:29
5

A princípio self é apenas um parâmetro como outro qualquer. Nele você recebe um objeto e depois através dessa variável, afinal todo parâmetro também é uma variável, você acessará os membros desse objeto.

O que tem de diferente na linguagem é que na chamada do método há um tratamento para o objeto ser passado como esse parâmetro.

Pense que métodos não existem de fato, o que existe é uma função com um primeiro parâmetro que é especial. Esse parâmetro sempre recebe o nome de self.

Então se tivermos uma classe chamada Classe e uma instância dessa classe for chamada assim

objeto.metodo()

na verdade é

Classe_metodo(objeto)

objeto é o argumento que está sendo passado e o parâmetro self em metodo() irá receber essa instância. O truque da linguagem só ocorre no que foi demonstrado acima, o resto é tudo igual.

class Classe(object):
    propriedade = 0
    def metodo(self):
        print(self.propriedade) #se tiver só propriedade aqui seria uma variavel local

objeto = Classe()
objeto.propriedade = 10
objeto.metodo()

Veja funcionando no ideone. E no Coding Ground. Também coloquei no GitHub para referência futura.

Note que selfé uma convenção que todo bom pythonista segue, mas na verdade você poderia colocar o que quisesse de nome do primeiro parâmetro do método, this, obj, abobrinha, etc.

Sua resposta

By clicking “Publique sua resposta”, you agree to our terms of service, privacy policy and cookie policy

Esta não é a resposta que você está procurando? Pesquise outras perguntas com a tag ou faça sua própria pergunta.