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Bom, atualmente estou enfrentando um problema um tanto estranho aqui com meu programa em c. Estou criando um programa em c que le inteiros de um arquivo externo de texto (utilizo a biblioteca padrão e a função fscanf) e armazenar num vetor alocado dinamicamente (estou utilizando as funções malloc e realloc). O programa funcionou perfeitamente em dois computadores, tanto executando direto da IDE (utilizo codeblocks com gcc) quanto no .exe gerado. O estranho, é que nos outros dois computadores que testei, ambos funcionam perfeitamente quando executo no codeblocks, porém, em um quando executo pelo .exe gerado ele não lê os dados do arquivo e outro dá erro. O que pode estar ocorrendo? Agradeço se alguém puder ajudar.

O código está um bocado grande, portando, vou colocar algumas funções importantes.

Função que aloca os dados:

int leDados(DADOS *dado){
int i = 0;
unsigned long int tamanho = 0;
FILE *arq;
arq = fopen("dados/config.txt","r");
tamanho = sizeof(DADOS);
while(fscanf(arq, "%d", &dado[i].id) != EOF){
    tamanho += sizeof(DADOS);
    dado = realloc(dado, tamanho);
    i++;
}
fclose(arq);
return i;

}

  • Os que dão problema são 64bits ou vice-versa? – Andre Mesquita 25/07/16 às 15:43
  • Todos windows que testei são 64 bits. – DJM_JM 25/07/16 às 15:44
  • O problema aparenta ser um problema de Comportamento Indefinido: tatnto pode funcionar como o programador espera como de outra maneira qualquer. De qualquer maneira é preciso mais informação para poder responder. – pmg 25/07/16 às 15:45
  • Quais outras informações poderiam ser úteis? Não tens ideia do que poderia estar causando essa instabilidade? Uma dúvida que tenho: O .exe gerado externamente não é o mesmo utilizado pela IDE para executar o programa? – DJM_JM 25/07/16 às 15:46
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    "Quais outras informações poderiam ser úteis?" -- O código! os loops, as leituras de input, as estruturas de dados, ... – pmg 25/07/16 às 16:09
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A passagem de parâmetros por refência - com ponteiros, usando * - não é mágica! é preciso entender o que ela faz - Em C indicamos que uma função recebe um ponteiro, com "*", praticamente só para deixar o programa mais fácil de ler - dependendo das configuraçoes o compilador pode dar um warning ou um erro se usamos isso da forma incorreta - e, dependendo de como errado usamos isso, o compilador não tem o que fazer - nem tem como te avisar. Esse é o caso aí.

Então, tenha em mente que um ponteiro é um número. Ele indica uma posição na memória do processo. Vamos supor que a sua leDados seja chamada com o vetor dado na posição de memória "1000".

Quando você altera alguma coisa no conteúdo desse ponteiro - quer mudar qualquer valor dado[i] já existente, isso vai funcionar - e é como a chamada por referência é usada.

No entanto, você tenta fazer uma alteração no próprio endereço do ponteiro! Quando você escreve dado = realloc(dado, tamanho); o valor 1000 em dado pode permanecer o mesmo, mas apenas se o realloc conseguir maior espaço de memória no mesmo bloco - mas ele pode retornar outro valor - se não conseguir aumentar o espaço alocado no endereço 1000 para o tamanho requisitado, a chamada pode transferir seus dados para outro endereço (por exemplo, 2000) - e retorna "2000" que fica na variável local dado. Referencias dentro da mesma função a elementos do vetor continuarão funcionando - por que terão por base o novo endereço "2000" - mas a função que chamou leDados só conhece o endereço 1000 - (e leDados não tem como mudar isso). Ao retornar da função leDados, oi programa vai tentar ler números numa posição que não está mais alocada para os dados do programa, e vai dar erro.

O funcionamento é intermitente, por que se o realloc conseguir sempre expandir o bloco de memória no endereço inicial (1000 no nosso exemplo), quem chama leDados continua com uma referência válida ao vetor. Mas se o realloc teve em alguma chamada que mover o bloco de dados, o programa se perde. E os fatores para essa chamada ter que mudar a posição são inúmeros - tendo a ver com o funcionamento interno do sistema, e configurações específicas par a o perfil do processo. De qualquer forma, mesmo quando esse programa funciona como está, é só por acaso.

A forma mais simples de resolver, já que essa função preenche o vetor todo, é alocar o vetor inicial nela mesma, e ela retornar o novo ponteiro. Use um valor predefinido, como um valor de sentinela, para o restante do programa saber o tamanho do vetor:

#define SENTINELA = 0x8fffffff
DADOS *leDados(){
   DADOS *dado;
   int i = 0;
   while (...){ ...; i++}
   dado[i] = SENTINELA
   return dado;
}

Outra forma é passar o endereço onde está o endereço de "dado" - de forma que a função "leDados" possa alterar o próprio endereço de memória de forma que ele seja mudado também na função que a chama:

void main() {
    DADOS * dado;
    leDados (&dado);
}
...
int leDados( DADOS **dado){
...
    while(fscanf(arq, "%d", &((*dado)[i].id)) != EOF){
       *dado = realloc(*dado, tamanho);
       ...
    }
    ...
    return i;
}

E por fim, mas não menos importante: A não ser que você esteja fazendo exercícos apra aprender melhor C, e querendo melhorar seu entendimento de ponteiros - isso é - se você estiver diante de um problema real de computação que quer resolver com esse programa num computador pessoal é hora de aprender outra linguagem e não fazer esse programa em C. (Outro caso de uso para programas reais em C é se você está programando para rodar num minicomputador, ou microcontrolador, como arduíno, ou outra aplicação de IoT)

Em C você tem que se preocupar com tudo: inclusive alocar essa estrutura de dados, e todos os detalhes de como vai manipula-la. EM linguagens de mais alto nível como Ruby, Python, PHP, Javascript, existem estrturas de dados prontas para usar, com toda a parte de alocação de meória, busca de elemtnos, etc... pronta para usar.

Por exemplo, para ler esse mesmo arquivo em um programa em Python, colocando todos os números numa estrutura que a proṕria linguagem já alcoa memória, já sabe o tamanho, permite ordenação, exclusão, etc, você precisa fazer:

dado = [int(n) for n in open(dados/config.txt").read().split()]

E ai você só te que se preocupar em usar seus números.

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Seguindo a sua mesma linha de raciocínio, segue uma solução completa e testada para o seu problema:

#include <stdio.h>
#include <stdlib.h>


void exibir_numeros( int numeros[], int qtd )
{
    int i = 0;

    for( i = 0; i < qtd; i++ )
        printf("n[%d] = %d\n", i, numeros[i] );
}


int carregar_numeros( const char * arq, int * numeros[], int * qtd )
{
    FILE * pf = NULL;
    int n = 0;
    int i = 0;
    int * p = NULL;

    pf = fopen( arq, "r" );

    if(!pf)
        return -1;

    while( fscanf( pf, "%d", &n ) != EOF )
    {
        i++;
        p = realloc( p, i * sizeof(int) );
        p[ i - 1 ] = n;
    }

    fclose(pf);

    *qtd = i;
    *numeros = p;

    return 0;
}

/* fim-de-arquivo */

Compilando (Linux/GCC):

$ gcc -Wall numeros.c -o numeros

Arquivo de Entrada:

1
2
3
100000
12345678
123456789
0987654321
1212121212
20000
30000
314215
6547438738
89234658725
-1000
-3000

Saída:

$ ./numeros teste.txt
n[0] = 1
n[1] = 2
n[2] = 3
n[3] = 100000
n[4] = 12345678
n[5] = 123456789
n[6] = 987654321
n[7] = 1212121212
n[8] = 20000
n[9] = 30000
n[10] = 314215
n[11] = -2042495854
n[12] = -959654491
n[13] = -1000
n[14] = -3000

Espero ter ajudado!

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Só com o que vc colocou é difícil dizer onde está o erro, mas posso apontar alguns possíveis problemas. O que sugiro mesmo é usar um debugador. Isso vai te permitir entender exatamente o que o computador está fazendo.

Vamos lá:

int leDados(DADOS *dado){
    // dado pode ser NULL? vc sempre passa algo que já está alocado?

    int i = 0;
    unsigned long int tamanho = 0;
    FILE *arq;
    arq = fopen("dados/config.txt","r");
    // tem certeza que deu certo a abertura do arquivo? arq é um ponteiro 
    // válido?

    tamanho = sizeof(DADOS);

    // dado tem uma alocação válida aqui? lembre-se não vale se estiver 
    //na pilha, tem que estar no heap
    while(fscanf(arq, "%d", &dado[i].id) != EOF){
       tamanho += sizeof(DADOS);
       dado = realloc(dado, tamanho);
       // a reallocação deu certo? Vc sempre vai jogar fora uma
       // realocação? Pq, quando der EOF, uma realocação vai estar perdida
       i++;
    }
    fclose(arq);
    return i;
}

Como comentário final, lembre-se que toda vez que entra no laço, vc faz uma relocação, isso faz o seu programa ficar subotimizado. Uma relocação é uma operação onerosa. Se cada linha do seu arquivo corresponde a um inteiro, pode ser mais interessantes contar quantas linhas tem no seu arquivo, fazer uma alocação completa e depois preenchê-la com valores.

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