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Esta pergunta já tem uma resposta aqui:

Ultimamente fiz uma mini mídia social e praticamente não utilizei a orientação a objetos, com exceção á uma classe que fiz para CRUD com PDO e bibliotecas prontas do GitHub.

Esse conceito seria aplicado mais para a construção de bibliotecas e APIs? Vi alguns padrões de projetos, mas não encaixei nenhum diretamente na construção de um sistema web.

Qual o real uso da OO em PHP? Algum exemplo de como aplicar a OO em um website?

marcada como duplicata por brasofilo, Wallace Maxters, Omni, Ricardo, Renan 16/01/16 às 0:00

Esta pergunta foi feita antes e já tem uma resposta. Se essas respostas não abordarem completamente sua pergunta, faça uma nova pergunta.

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TL;DR

Orientação a Objetos (OO), independente da linguagem e do quanto ela adere à teoria, pode trazer os mesmos benefícios, sendo os principais relacionados à organização do código, facilidade de manutenção e capacidade de extensão das funcionalidade.

Você está certo em supor que OO é melhor para bibliotecas e APIs, já que código feito para uso de terceiros precisa ter uma interface bem definida, extensibilidade e encapsulamento, enquanto flexibilidade demais gera dores de cabeça para lidar com a evolução do código.

Entretanto, este paradigma, por si só, não resolve qualquer um dos problemas e, se mau utilizado, pode causar tanto ou mais danos do que ajudar.

Você não precisa de OO

Isso mesmo que você leu. Dá pra fazer tudo que se faz com objetos usando apenas programação procedural.

Uma boa linguagem de programação precisa basicamente de 3 componentes:

  • Estruturas de dados básicos: vetores, mapas, classes, tipos simples, etc.
  • Estruturas de controle: if, for, etc.
  • Estruturas de organização do código: subrotinas, blocos, funções, métodos, etc.

Agora, pense no que são classes, por exemplo. Tratam-se de uma composição de trechos de código organizados (métodos), os quais contém lógica de controle, e um conjunto de dados ou atributos (estado do objeto) que chamamos em PHP de $this.

Bem, você pode obter o mesmo resultado usando um conjunto de funções e uma estrutura de dados compartilhada entre elas. Quem sabe programar um pouco em C, por exemplo, sabe muito bem disso.

Exemplo procedural:

$this = criar_estrutura();
fazer_algo($this);

Exemplo OO:

$objeto = new Classe();
$objeto->fazer_algo();

Os dois códigos fazem a mesma coisa, entretanto no primeiro o estado é explícito e precisa ser passado em cada chamada ao conjunto de funções que são análogas aos métodos de uma classe.

Porém, como pretendo mostrar adiante, OO traz outros benefícios e não é à toa ou coincidência ou uma simples moda que a faz se tornar o paradigma mais usado no mundo.

Você pode encontrar bons materiais aqui no SO sobre vantagens de OO, sendo um exemplo esta pergunta.

O que distingue a Orientação a Objetos

Um grande diferencial da OO em relação aos outros paradigmas é que ele vai além no que diz respeito à abstração e encapsulamento dos dados.

Claro, nada é de graça. Com os benefícios vêm os efeitos colaterais, a saber, maior cerimônia, complexidade e restrições, além de impactos no gerenciamento de memória e no desempenho (não querendo dizer com isso que necessariamente um sistema vai ficar lento ou pesado só por usar OO).

Entretanto, o que se vê no geral é que o ganho pode ser bem maior que o preço pago por jogar dentro das regras dos objetos.

Quando você tem atributo privados encapsulando o estado de um objeto, pode ser "chato" ter que ficar acessando tudo por métodos. Em teoria (mas tem que ser muito teórico mesmo), um bom programador não precisa esconder suas estruturas de dados, apenas tomar o cuidado para não ser tentado a mexer no que não deve.

Porém, se olharmos projetos reais que envolvam produtos de verdade, constataremos que é ilusão achar que humanos simplesmente vão seguir corretamente todas as regras e boas práticas. Num projeto complexo, pode ser humanamente impossível estar a par do funcionamento de tudo.

Alguém pode argumentar que basta estudar a API do PHP para aprender a usar as funções, mas em projetos reais você também precisa aprender a API do sistema em particular e outros sistemas com os quais você faz integração, às vezes mais complexos e desorganizado que a própria linguagem (se é que é possível :P).

Dado esse cenário caótico, as restrições, padrões e regras impostos pela OO são muito bem-vindos em muitos casos.

Abstração e reuso

Como se faz reuso de código sem OO? Com funções. E como você faz para adicionar variações? Parâmetros.

O problema disso é que no decorrer do tempo você vai precisar alterar os parâmetros. Não é incomum em códigos PHP por aí encontrar funções com 10 parâmetros, alguns opcionais, outros desnecessários. E se você precisar remover uma parâmetro, vai ter que sair varrendo o código procurando pelas chamadas.

Uma alternativa a isso é receber vetores, mapas ou outras estruturas genéricas como parâmetros. Isso pode funcionar bem até certo ponto.

Ao usar objetos, você pode diferentes construtores e ter métodos para definir propriedades específicas que geralmente são opcionais.

Vamos agora a um cenário onde você tem uma rotina que processa uma entidade com vários atributos, sendo 2 deles obrigatórios e os demais opcionais.

Uma implementação OO poderia ser:

$cliente = new Cliente($cpf, $nome);
$cliente->setEndereco($end);
$email->enviar($cliente);

Uma versão procedural simplista seria:

enviar_email_cliente($cpf, $nome, null, null, $end); //demais parâmetros omitidos

Uma versão mais flexível:

enviar_email_cliente($cpf, $nome, array("endereco" => $end));

Considere ainda que este sistema é um grande ERP, composto por módulos desenvolvidos por diferentes equipes, e existem centenas de chamadas à rotina e em nenhuma delas os valores são estáticos como no exemplo.

Agora imagine que foi necessário remover o atributo endereco da entidade Cliente e mover para outra entidade, já que agora clientes podem ter vários endereços.

Agora vai a pergunta: o que acontece quando você efetua a mudança? Em qual dos casos a IDE ou o interpretador vai avisar você de que o atributo não existe mais?

Este é um trade-off entre flexibilidade e segurança. Muita flexibilidade, como é permitido e até incentivado em PHP, também é causa frequente erros difíceis de serem encontrados.

Encapsulamento

Posso imaginar que no seu sistema você tenha um punhado de variáveis, algumas globais, para trocar informações entre as funções. Se não tiver, parabéns, mas esta não é a regra.

O problema com variáveis compartilhadas é que você incorre no grande risco de que um trecho de código interfira com outros inadvertidamente.

Vamos a outro exemplo. Você quer monitorar o tempo de uma rotina muito demorada. Uma abordagem procedural ingênua usando uma variável global seria:

iniciar_timer();
foreach ($planetas as $planeta) {
    popular($planeta);
}
echo "Total: " . finalizar_timer();

Bem, obviamente isso funciona, mas não ajuda muito. A rotina demora muito e não se sabe em qual planeta estamos tendo mais dificuldades em popular. Queremos saber o tempo total, assim como o tempo individual.

Poderíamos melhorar da seguinte forma:

$inicio_geral = iniciar_timer();
foreach ($planetas as $planeta) {
    $inicio_parcial = iniciar_timer();
    popular($planeta);
    echo "Planeta $planeta: " . finalizar_timer($inicio_parcial);
    echo "Parcial: " . (time() - $inicio_geral);
}
echo "Total: " . finalizar_timer($inicio_geral);

Pronto, agora não termos mais o estado global e podemos reusar a rotina.

Porém, verificou-se que o processo está vazando muita memória e se quer investigar quando isso ocorre. Para isso, precisamos recuperar a quantidade de memória alocada antes de executar a rotina e a quantidade de memória após ela executar e adicionar essas informações a um arquivo de log.

Como podemos alterar as rotinas para fazer isso sem mexer no código? Tenha em mente que essas rotinas estão sendo usados por outras pessoas que contribuem para a colonização da galáxia.

Se não queremos variáveis globais, podemos mudar o retorno da rotina inicar_timer para retornar um array contendo tanto o tempo quanto a memória e assim recuperar ambos valores em finalizar_timer.

Entretanto, você potencialmente está quebrando a implementação de várias pessoas, já que agora o echo não vai imprimir o que você esperava. Tudo isso porque programadores espertos, sabendo que você retornava um timestamp, acessaram diretamente o valor.

Alguém pode argumentar que é possível corrigir isso de forma simples. Por exemplo:

$inicio_geral = iniciar_timer();
foreach ($planetas as $planeta) {
    $inicio_parcial = iniciar_timer();
    popular($planeta);
    imprimir_tempo("Planeta $planeta", $inicio_parcial);
    imprimir_tempo("Parcial, $inicio_geral);
}
imprimir_tempo("Total", $inicio_geral);

Excelente. Agora explique para para mundo porque mais uma vez foram implementadas mudanças incompatíveis com versões anteriores e agora todos terão que ficar usando uma versão antiga do seu código ou parar o que estão fazendo procurando por todos os usos das rotinas afetadas, ajustando e testando tudo novamente.

OO não resolve todos os problemas, mas neste exemplo (e em vários outros que vejo no dia a dia) um correto encapsulamento do estado poderia ter resolvido todo o problema de início. Por outro lado, a falta de encapsulamento, tende a causar este tipo de problema.

Nesse ponto, as restrições e burocracias da OO teriam permitido que todas as alterações fossem feitas sem interrupção e sem introduzir incompatibilidades:

$geral = new Timer();
foreach ($planetas as $planeta) {
    $parcial = iniciar_timer();
    popular($planeta);
    $parcial->logTime("Planeta $planeta");
    $geral->logTime(Parcial);
}
$geral->logTime("Total");

Resumindo: as restrições impostas pela OO aumentam o reuso porque limitam a forma como o código cliente pode interagir com os dados.

Em programação funcional, por outro lado, poderíamos ainda ter um método que faz a contagem automaticamente. Exemplo:

monitorar_execucao("Total", function() {
    foreach ($planetas as $planeta) {
        monitorar_execucao("Planeta $planeta", function() { 
            popular($planeta);
        });
    }
});

No exemplo acima, os logs de início e fim são feitos automaticamente e podemos adicionar quaisquer mecanismos de monitoração desejados.

E se quisermos dar um pouco mais de flexibilidade, podemos ainda disponibilizar um objeto como parâmetro:

monitorar_execucao("Total", function($timer_global) {
    foreach ($planetas as $planeta) {
        monitorar_execucao("Planeta $planeta", function($timer_parcial) { 
            popular($planeta);
            $timer_global->log("parcial");
        });
    }
});

Note como usamos programação funcional e OO em conjunto para obter uma API mais flexível, segura e consistente. Podemos mudar a implementação interna sem afetar quem usa a rotina.

Entidades

Provavelmente você deve ter algumas entidades que salva num banco de dados.

Sem orientação a objetos, não é incomum se usar um conjunto definido de variáveis ou mesmo um mapa ou array para armazenar tais estruturas de dados.

Por exemplo:

$carrinho = ["Pão", "Leite"];

A não ser que seu sistema seja muito trivial, você deve ter encontrado alguns problemas enquanto criava rotinas para recuperar, inserir ou alterar dados. Ora você esquece quais os atributos um mapa carrega, ora você precisa passar um monte de valores por parâmetro, etc. Adicionar campos pode virar um pesadelo mais para frente.

Agora com quantidade:

$carrinho = [
    ["desc" => "Pão", "quantidade" => 2], 
    ["desc" => "Leite", "quantidade" => 1] 
];

Agora com valor unitário

$carrinho = [
    ["desc" => "Pão", "quantidade" => 2, "valor" => .50], 
    ["desc" => "Leite", "quantidade" => 1, "valor" => 2.0] 
];

Excelente, você não precisa de mais nada para ter os eu carrinho de compras. Vamos calcular o total:

$total = 0;
foreach($carrinho as $item) 
    $total += $item['valor'];

Se há vários locais da sua aplicação onde você precisa percorrer, adicionar, remover, pesquisar elementos e assim por diante, você tem basicamente duas opções. Uma é acessar tudo manualmente como no exemplo acima e, quando ocorrerem mudanças (tal como novos campos), você sai mudando em todos os lugares. Outra é criar várias funções para manipular a estrutura de dados, tais como adicionar_item($carrinho, $item) e consultar_item($carrinho, $descricao).

Repare como tudo isso soa exatamente como meu primeiro exemplo de OO vs. procedural. Podemos resolver tudo isso sem OO, mas convenhamos, estamos reinventando a roda e fazendo manualmente o que poderíamos delegar para o interpretador do PHP fazer de forma mais segura.

Indo mais longe, mas vamos imaginar que agora você tem carrinhos com muitos itens e frequentemente precisa percorrer todos os elementos para totalizar ou consultar os itens. Primeiro você pensa em mudar a estrutura para algo como:

$carrinho = [
    "total" => 2,
    "items" => [
        "Pão" => ["quantidade" => 2, "valor" => .50], 
        "Leite" => ["quantidade" => 1, "valor" => 2.0] 
    ]
];

Resolve o problema, mas vai quebrar todo o código atual mais uma vez, caso você não faça todos os acessos via funções próprias.

Mas claro que você não precisa de objetos. Basta que cada módulo procedural tenha escrito na documentação algo como "não acesse as estruturas de dados diretamente!" E a partir daí obviamente você pode confiar que todo mundo, incluindo você, nunca vai respeitar esse desejo e usar corretamente sua API. Boa sorte! :)

Mais uma vez:

  • A falta de encapsulamento é fonte comum de problemas.
  • É complicado manter a consistência tendo apenas um conjunto "solto" de rotinas.
  • Isso também dificulta que outras pessoas criem novas rotinas e criem novas funcionalidades em cima das suas, pois a não fica claro como elas podem ou não usar sua estrutura de dados, enquanto com classes isso seria mais óbvio.

Objetos que representam entidades complexas são muito seguramente manipuladas pelas várias rotinas do sistema com uma interface bem definida em uma classe.

Usando o exemplo de validação, um objeto bem encapsulado garante a consistência interna dos dados, o que não é tão simples com funções isoladas. É claro que você pode criar uma rotina de validação e chamar em cada função, mas não é tão eficiente em muitos casos impeditivo ter que analisar em cada rotina toda a estrutura recebida para determinar se o estado é válido. Isso leva muitas bibliotecas a não realizarem validação suficiente, resultando em dificuldades para identificar problemas quando valores inesperados aparecem.

O potencial do PHP em diferentes paradigmas

Você pode resolver uma gama de problemas usando somente um paradigma específico, mas quase sempre, para uma aplicação não trivial um só paradigma não é a melhor escolha ou suficiente.

Quando falamos em programação procedural, funcional e orientado a objetos, devemos pensar em como podemos usar todos os paradigmas em harmonia para uma melhor solução.

Orientação a objetos é importante e todas as principais linguagens têm algum nível de suporte a ela ou possuem variações para suportar o paradigma, tal como o C++.

Programação funcional é outro paradigma que todas as linguagens procuram aproveitar até certo ponto. Mesmo linguagens como o Java, tradicionalmente nada amigável a este paradigma, abraçou-o veementemente em sua versão 8.

Já programação procedural é algo que, até certo ponto, inevitável. Ainda não estamos no estágio (e não estou certo de que chegaremos) onde tudo poderá ser resolvido por expressões funcionais. As boas e velhas estruturas de controle tais como if e for ainda vão existir dentro dos métodos e funções.

O interessante do PHP é que ele possui um suporte razoável para todos esses paradigmas, embora alguns sejam mais bem explorados do que os demais.

A linguagem é muito conhecida por ser de fácil aprendizado, onde alguém consegue ter algum código executando com sucesso no seu primeiro dia, senão na primeira hora.

Por causa disso, parte da comunidade encontra dificuldades com o uso de OO e mesmo programação funcional já que são conceitos que levam mais tempo para digerir, além do que o PHP tem uma herança procedural muito forte e praticamente todos os módulos possuem uma API procedural, às vezes suportando OO ao mesmo tempo ou misturando objetos com funções isoladas.

Vejo um movimento da comunidade PHP em direção ao uso de outros paradigmas, mas menos para programação funcional, o que é uma pena.

Enfim, seria bom ver os três paradigmas funcionando em conjunto permitindo soluções melhores em todas as áreas.

Exemplos onde Orientação a Objetos é ruim

Lugares onde em geral OO não é legal ou é usada apenas indiretamente incluem:

  • Templates, por exemplo, como os templates HTML do Wordpress onde você mistura lógica de controle com código HTML. Mesmo em outras linguagens isso vale. Embora objetos auxiliares (helpers) sejam usados, um template de texto é intrinsicamente procedural em sua natureza.
  • Funções sem estado (stateless) não armazenam nem compartilham variáveis, nem possuem pré-requisitos. Por exemplo, mesmo numa linguagem puramente OO, uma rotina para converter um inteiro em texto não precisa necessariamente estar em um objeto. O Java, por exemplo, usa método estáticos para esses casos.
  • Rotinas de alto desempenho funcionam melhor com estruturas de dados simples.

Padrões de Projetos

Vários projetos de código livre morrem por falta de manutenção devido à má estruturação, pois ninguém consegue ou tem coragem de mexer. Independente do paradigma utilizado, é importante aprender as melhores práticas.

Padrões de projetos não são exclusividade do paradigma de Programação OO, mas são soluções conhecidas para problemas específicos, além de uma linguagem comum para você não reinventar a roda e chamar de "cubo redondo".

Conhecer padrões de projeto podem lhe ensinar como outras pessoas resolveram certos tipos de problemas e, uma vez que você aprender alguns você perceberá uma coisa boa e outra ruim:

  • A boa é que você vai aprender outras formas de pensar sobre o problema que não teria feito sozinho e logo estará ajustando e compondo esses diferentes padrões em novas formas. Assim você usa a experiência dos outros para crescer mais rapidamente.
  • A ruim é que você começa a querer aplicar os padrões em tudo e acaba criando alguns monstrinhos até aprender (espero) a usar esses novos poderes com responsabilidade.

Considerações

Não só em bibliotecas ou frameworks, o uso de Orientação a Objetos é bem-vindo em qualquer funcionalidade do seu programa, principalmente quando você almeja reuso e comunicação entre diferentes partes do código ao mesmo tempo que que almeja certo encapsulamento para evitar problemas mais para frente.

Use o paradigma que for melhor para resolver cada problema, inclusive todos juntos. Mas para isso você vai precisar conhecer todos, além das boas e más práticas de cada um.

  • Obrigado pela a resposta deu para entender bastante sobre o assunto, sobre as globais acho que não usei não, no projeto em si só usei funções e classes em uma mini classe que criei para crud, as variáveis foram distintas por arquivos.. Uma dúvida que restou foi haver com a pergunta relacionada a essa, lá diz que não é indicável misturar OO com estruturada, logo não tenho a menor idéia de nao fazer essa mistura pois seria uma classe para cada página? – Leonardo Vilarinho 14/01/16 às 2:59
  • 1
    @Bacco Pergunta reformulada. Mas quanto mais cresce, mais complicada fica. Acho que fiz mais justiça aos outros paradigmas agora. :) – utluiz 15/01/16 às 2:51
  • 3
    @Edilson Mais paciência. Primeiro você precisa entender que é de certa forma uma ironia. Você pode programar em binário também. Mas para não deixar você na espera, adiante que meu texto é uma defesa da POO. Basicamente meu argumento é que o fato de você não precisar de algo não significa que não seja melhor se você usar. Sinceramente, sugiro você não adicionar críticas assim sem ler até o final. – utluiz 16/01/16 às 11:23
  • 1
    @Edilson já parou pra considerar que talvez as partes que você não concorda estejam corretas, e talvez sua visão esteja um pouco "engessada"? Não estou afirmando que é o caso, mas às vezes é legal entender que os autores de ambas as respostas não inventaram do dia pra noite o que estão escrevendo, e com certeza tem uma razão para cada ponto que expressaram. Se alguma parte não agradou eu acho legal vc se manifestar (eu fiz isso antes nessa mesma resposta, por motivo contrário do seu), mas acho muito legal ver e aproveitar tudo o que a resposta tem a acrescentar também. – Bacco 16/01/16 às 11:38
  • 1
    Espero não ter transmitido a ideia de estar aborrecido com a resposta e os comentários, mas questões são para ser esclarecidas. E obrigado a todos pela compreensão. +1 – Edilson 16/01/16 às 15:13
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Introdução contextual ou TL; DR

Esta resposta é uma discordância democrática e saudável à resposta do utluiz. É necessário deixar claro isto porque algumas pessoas acham que diversidade de visão não é construtivo ou mesmo que é briga. Acho que aqui estamos fazendo de forma saudável e todos podem se beneficiar disto.

Melhor que uma pergunta que gera uma boa resposta é ter uma pergunta que gera várias boas respostas e que fazem as pessoas refletir e aprender mais. Mesmo que discordem do que está escrito.

Para quem não tem paciência para ler tudo ou acha que já sabe o que precisa aprender sobre o assunto, o que eu digo é:

  • OOP é bom, mas não é panaceia.
  • Tudo o que o utluiz diz funciona bem em outros contextos, mas em PHP, boa parte da vantagem do OOP se perde.
  • OOP traz problemas novos, sem resolver todos do procedural, portanto alguns problemas podem se beneficiar mais de OOP ou procedural, OOP não é adequado para qualquer coisa.
  • Afirmo que PHP costuma atender problemas mais adequados para procedural que OOP.
  • Muito do que é dito na outra resposta é sobre tipagem estática, e não OO.
  • A principal discordância é em usar exemplo de procedural ruim contra OOP bom. É injusto.

A resposta dele não está errada, tem qualidade. Só quero dar uma outra visão. Em várias partes, concordo com o que está lá. Só acho que ela não está bem contextualizada para o PHP. A prática do PHP é um pouco diferente do que está descrito ali. A pergunta é sobre OOP em PHP, não em Java.

Algumas coisas desta resposta fazem mais sentido olhando a versão original da resposta dele. Não vou mexer tanto.

Recomendo fortemente assistir um vídeo que mostra de forma clara como OOP é mais problemático do que parece e onde está realmente o seu problema. Se quer ficar com a posição de que OOP é ótimo sempre, ok, mas não diga que não avisei :)

Melhor para bibliotecas ou sistemas complexos

A minha opinião sempre (cerca de 25 anos) foi que OOP é melhor aplicada à bibliotecas e APIs. Não só, claro, mas principalmente. E mesmo assim, não em todos casos de bibliotecas. Pra mim OOP brilha em problemas onde o PHP não costuma passar perto. Mas em pontos específicos o PHP pode se beneficiar do paradigma.

Por sorte muitas vezes a pessoa acha que está usando OOP e está apenas usando uma classe simples que funciona como um módulo ou uma estrutura simples. A parte ruim é que ela acertou por coincidência. Usar classe não significa que está fazendo OOP.

Consumir APIs que foram construídas com OOP não é a mesma coisa que programar orientado a objeto.

Abstração e reuso

Concordo que é comum vermos as pessoas fazerem tudo o que o utluiz diz na sua resposta quando programam procedural. Mas também já vi pessoas botarem tudo em classes e cometerem erros piores. Veja (aqui mesmo) a maioria dos códigos comuns que as pessoas escrevem em OOP que fazem uma bagunça muito maior que o citado. Ela amontoa o que não pode e retalha o que não dá. É algo quase aleatório.

Talvez a explicação esteja certa se fizer puramente procedural do jeito que se fazia nos anos 60/70. Mas não é o caso de fazer assim. Modularizar é algo importante. Fazer tudo virar objeto nem tanto. Falo muito sobre o assunto em outra pergunta.

C é uma das poucas linguagens que não implementam nenhuma facilidade de OOP e a cultura é não tentar forçar este paradigma nela. As pessoas programam muito bem nela sem este paradigma nos sistemas mais complexos possíveis e não têm as dificuldades e erros citados (nem na versão antiga, nem na versão nova da resposta do utluiz). O "problema" da linguagem é ser muito baixo nível e o que mais faz falta pra ela é generacidade e um pouco mais de capacidade de modularização. Tá, também há a cultura de escrever código mneumônico, mas isto mudou bastante. Falta ser mais estática do que ela é. Em C e outras linguagens você resolve tudo o que foi citado sem dificuldades.

Tem um tipo específico de reuso não citado na resposta dele que realmente OOP ajuda. Não vou entrar em detalhes para não alongar.

PHP é uma linguagem bastante dinâmica e se a pessoa souber o que está fazendo consegue muito reuso sem usar OOP. Na verdade pode obter até mais aproveitando bem os recursos dinâmicos da linguagem. Reforço que não estou dizendo que OOP não deva ser usado nunca.

Abstração é algo bom. E ela é usada desde que existe computador. OOP não inventou isto.

O problema não é o paradigma OO ou procedural, ou outro. É não saber usar a ferramenta. E algumas pessoas vendem OOP como se fosse algo que você usa e tudo se resolve. Mesmo que não seja a intenção delas, acabam fazendo isto sem perceber. Muitas pessoas leem que OOP organiza o código e ela passa adotar o paradigma como se ele fosse mágico. Quem disse talvez saiba que não é bem assim. Quem lê e ainda está aprendendo, não percebe as nuances, não entende que não é panaceia.

Exemplo usado

O problema da manutenção, citado nesta seção da resposta dele, ocorre nos dois paradigmas. OOP tem até um princípio que diz que você não deve modificar suas classes. Obviamente não dá para seguir sempre este princípio. Mudanças provocam dificuldades em todos paradigmas.

O problema citado realmente existe por um defeito da linguagem. Por isto citei C que não tem esse defeito. Realmente PHP não tem uma estrutura de dados simples meio termo. Ou você tem um array associativo dinâmico que produz o problema que ele citou ou tem a classe que resolve o problema específico. Mas este é um problema de coisa mais estática e mais dinâmica, não é uma dicotomia entre procedural e OOP.

Pois bem. Use a classe então. Porque você colocou em uma classe, está fazendo OOP? Então C é OO também. Ela tem struct. Claro que discordo disto. Todos discordam.

Não vou repetir todos os detalhes do que já disse em inúmeras respostas, algumas citadas aqui. OOP é mais do que criar uma classe. Colocar dados em uma estrutura eu sempre achei útil. Está usando OOP assim?

enviar_email_cliente($JoseDaSilva); //esta variável é baseada em uma estrutura

Dá para fazer melhor que isto, mas não quis modificar o exemplo que seria ruim até em OOP.

Não tem nada de OOP aí. Se esta variável tem uma estrutura definida com AA ou com classe, não é um detalhe importante (internamente no PHP vai dar no mesmo). Escolha qual achar melhor para seu propósito, mas o problema de manutenção da estrutura está resolvido. Os exemplos citados criam problema por fazer do jeito errado.

Quer que o IDE auxilie? Ok, use a classe para criar a estrutura. Só que o IDE vai ajudar porque ficou mais estático, não porque fez OOP. Teve paciência de chegar até aqui? Então vai adorar esse blog que tem um bom artigo sobre essa questão. O Steve é o cara que pode espantar a maioria dos leitores, mas pelo menos ele não gera confusão com superficialismos. E que eu sei que as pessoas preferem. Não preciso dizer que sou fã dele, apesar de não concordar com tudo o que ele fala.

Estamos criando um dicotomia entre paradigmas quando na verdade a questão é sobre tipagem. PHP teria muito mais robustez e facilidades de manutenção por ter tipagem estática do que por usar OOP. E se tirarem a tipagem dinâmica, ela perde seu maior mérito. Já repeti várias vezes que se é para ter essa robustez toda, não use PHP. Forçar o uso de tipagem estática e orientação a objeto é deturpar o que esta linguagem sempre teve de bom e diferente de outras soluções. Ter como opção para algumas coisas é bem útil.

Fluxo de chamadas de funções

Na resposta original havia algo sobre isto, veja: https://pt.stackoverflow.com/revisions/108209/1

Não vejo como o problema citado seja resolvido por OOP. Na verdade acho que não só OOP, mas toda modularização ajuda a piorar o problema. Também não prego fazer linguições para evitar o problema citado, que é real.

É possível resolver tão bem quanto OOP, sem usá-lo, mantendo uma sintaxe limpa e organizada. Se as pessoas não sabem como fazê-lo, é outro problema. Mas elas também não sabem pra que serve um construtor, muito usado em OOP.

Variáveis globais

Aqui também é sobre a versão original

Um problema real. Mas OOP não resolve ele. Há problemas que precisam do estado global.

A variável global tem outro problema: ter escopo global.

Há problemas que ou você complica o design ou faz algo que no fundo usa escopo global, mesmo que disfarçado. O problema do escopo global é quando ele é desnecessário e é usado assim mesmo. Há problemas que são inerentemente globais.

Em PHP mesmo o abuso de globais causa pouco problema porque eles são efêmeros. Claro que pode causar algum. Mas pode ser uma solução simples também. E vou repetir mais uma vez, pode causar problemas usando qualquer ferramenta.

Em outro contexto eu acharia as globais mais perigosas.

Não vou me alongar, mais sobre o assunto:

Exemplo prático

Baseado na resposta original do utluiz

Não gosto deste exemplo porque é comparação de uma implementação errada com uma certa. Não de uma paradigma com outro. O exemplo mostra como não fazer de forma procedural e como fazer OO. É uma comparação injusta.

Mas não é culpa dele fazer isto. É difícil dar bons exemplos simples que o paradigma em si ajuda de forma clara.

Eu entendo que em OOP é mais difícil cometer este erro. Mas é mais fácil cometer outros, e até piores. Mas note que a diferença de ser mais difícil e mais fácil é irrisória.

Exemplo sem classe e sem problemas.

$time = Timer();
gerar_relatorio();
Stop($time);

Pronto, não criou uma classe e dá tudo certo.

Tem linguagem que permitiria usar $time->Stop(). Aí é defeito da linguagem e não do paradigma. É só sintaxe, não muda a semântica. Não muda o paradigma.

Tem outro exemplo que posso fazer sem usar classe que faria algo semelhante. A sintaxe não ficará boa em PHP. Novamente é um problema da linguagem.

Eu resolvo isto de forma funcional melhor que procedural ou OO. Mas funcional não tá na moda. E não é bem-vindo em PHP. Em pseudo-código:

Timer(gerar_relatorio, print) //é um exemplo, pode ser de outra forma, print é opcional

De qualquer forma, Timer é algo da aplicação ou de biblioteca? Isto ajuda fundamentar o que eu disse no começo. Nem acho que seja o caso de Timer que pode funcionar bem sem OOP, mas OOP é melhor aplicado à bibliotecas, gerais ou de aplicação específica.

Usar a classe Timer pronta está programando OO ou só consumindo algo que por acaso foi feito assim?

Esse Timer tem que ser bem escrito em procedural ou OOP, senão a comparação não é justa. Se ele precisa ter mais dados, ok, crie uma estrutura de dados para isso. Mas isto não é OOP.

Possivelmente eu até usaria OOP para criar um timer flexível. Mas em PHP 99% do tempo as pessoas não estão fazendo bibliotecas, ou ERPs, ou dev tool, ou outras soluções complexas "monolíticas". PHP roda scripts!

Encapsulamento

A seção cita variáveis globais, mas não vi nenhuma no código. Não vi vazamento de memória. Vi um código mal escrito. E OOP não faz as pessoas magicamente escrevem códigos bem escritos.

Uma pessoa pode saber fazer bem em OOP e mal em procedural. Isto pode ocorrer. Tem gente que só aprendeu fazer de um jeito. Tem pouco material ensinando fazer procedural certo. O legado do procedural realmente não é bom.

Mas o que vejo mais (a realidade de alguns privilegiados não pode ser posta para todos) é a pessoa não saber fazer dos jeitos. Este site tem um bom universo estatístico para comprovarmos isto. O procedural é mais simples dela aprender.

Precisa encapsular? Ok, sou favorável sempre, ainda que nem sempre seja tão necessário quanto acham. Só encapsular não é OOP. Diversos paradigmas pregam isto.

As mudanças incompatíveis citadas ocorreram porque o código foi mal escrito. Se escrever mal OOP, a incompatibilidade também ocorrerá. A resposta cita que o correto encapsulamento vai resolver um problema. Vale o mesmo para o procedural, fazendo o correto não tem problema algum.

A solução é dada por fazer corretamente, não porque usou OOP ou procedural. OOP não ajuda nada neste ponto. A não ser que a pessoa esteja acostumada fazer OOP e não tenha ideia de como fazer o mesmo em procedural. Aí é uma questão cultural individual.

Pra falar a verdade achei que a versão nova da resposta até tenta vender, mesmo que não seja intencional, OOP como uma solução mágica para todos os problemas. Tem um monte de regra para seguir fazendo OOP para tudo dar certo. Então aplique um monte de regra em procedural e tudo vai dar certo. É muito comum os proponentes justificarem que OOP não está dando certo porque as pessoas não sabem fazer certo. Procedural também.

Em uma linguagem de script, o encapsulamento se dá principalmente pela contenção do código em arquivos fontes que serão carregados sob demanda e que executarão e serão descartados em seguida. Quer mais granulidade. Tem como. É só saber organizar, como também é necessário saber em OOP.

Eu sei que pode ser uma simplificação, mas parece que a resposta vende um pouco a ideia que OOP é encapsular. Pode não ser intencional, eu sei. Encapsulamento faz parte de diversos paradigmas, OOP não pode tomar propriedade para ele.

No procedural também podemos mudar a estrutura interna sem afetar os consumidores. Basta fazer certo. OOP também só entrega o que promete se fizer certo.

Eu ia fazer a versão procedural do novo Timer OOP da resposta, mas achei ele tão confuso que resolvi não arriscar :) Não entendi qual seria a intenção ali. Me parece que é OOP ruim também, mas posso estar enganado por não ter visto todo o contexto. Parece que o código mistura responsabilidades.

Entidades

Acho pouco relevante como a entidade é representada. Em PHP classes no fundo são arrays associativos, ainda que a implementação difira um pouco do AA padrão da linguagem. Em diversas situações não é possível determinar se tudo o que está na classe está sendo feita de forma correta. A impressão que eu tenho é que a resposta não considera a realidade do PHP. Para fazer tudo o que ela prega, PHP teria que ter uma classe de forma mais estática do que é. Você não pode garantir o que não é estático.

A criação de classes pode burocratizar um pouco o desenvolvimento. O que é bom em grande parte das aplicações feitas em Java, por exemplo. Mas PHP é uma linguagem com menos cerimônia. Falo muito sobre isto em outra pergunta.

Admito que pessoas muito desorganizadas podem encontrar em OOP alguma salvação. Mas ela pode se dar mal optando por isso. Vejo perguntas aqui no site onde a pessoa começou fazendo mais procedural e ela errava. Passou fazer OOP e ficou muito pior. As pessoas estão sendo "obrigadas" a usar OOP. Ninguém quer ficar de fora disto que todo mundo está usando.

Curiosamente em OOP hora se prega para juntar tudo, hora se prega para separar. Sim, tem que fazer os dois. Mas é o que eu sempre digo, usar uma regra geral para casos específicos não dá certo. Então muito do que se diz de benefício de OOP não significa muita coisa quando vai codificar o problema real. Fica lindo na teoria e péssimo na prática. Aí quem domina a ferramenta que é complexa, faz certo, quem não domina se atrapalha mais.

Novamente. Tem casos onde pode haver ganhos. O problema é que é difícil dizer sem conhecer o caso específico profundamente, coisa que levaria horas, dias, nunca poderá ser respondido aqui.

Pegando o exemplo específico (da resposta original), quem garante que a validação dentro da classe será chamada, por ela mesma ou externamente? Quem garante que aquela validação pode ser usada em todas situações? Quem garante que o sistema pode trabalhar bem com o objeto sempre em estado válido único? Eu poderia continuar fazendo vários questionamentos. OOP não garante nada a mais. Nem quando bem feito. Mas o bem feito em qualquer paradigma, pode dar melhores garantias em grande parte das situações.

Adicionar campos novos é mais fácil em uma estrutura mais dinâmica do que em uma classe, ainda que em PHP a classe possa ser dinamizada.

Todos os problemas citados podem ocorrer em qualquer paradigma e nenhum ajuda fazer melhor o que foi mal feito.

OOP traz problemas novos. Por isso explodiram os tais dos design patterns famosos. A maioria deles foram criados para resolver os problemas de OOP. Problemas que não existem se usar o PHP "tradicional". Aplique padrões específicos para o procedural e os problemas dele serão resolvidos.

Eu acho que se tivesse um livro canônico e popular, talvez chamado "Design Patters para Procedural" :P e ele tivesse vindo antes de OOP, este último não teria este sucesso todo. É bem um talvez, porque o advento da GUI quase obrigou OOP existir. E aí entra onde OOP deveria ser usado mesmo. Coisa longe do PHP. OOP faz mais sentido em JS que PHP.

Cuidado para não confundir paradigmas com padrões de projeto. Nem com tipagem.

Muitas das vantagens e desvantagens que as pessoas veem em OOP (nem todas, claro) está mais ligado à linguagem ser estática do que ser orientada a objeto. Curiosamente OOP puro (aquele do Smalltalk) funciona melhor em linguagens dinâmicas. E não dá todas as garantias citadas. Os problemas citados não existe em C que é procedural, mas é estático.

Se PHP não ajuda garantir muita coisa, é uma falácia dizer que alguma coisa será garantida se usar o paradigma. Mais uma vez, a garantia virá do uso correto de qualquer paradigma, que é muito subjetivo. Ou da tipagem estática, que é algo que a classe começou introduzir em PHP. SE ela tivesse sido chamada de struct e não class, aceitariam que não é OOP? Falo da classe como um container de dados, só, sem outros apetrechos. OS apetrechos fazem ser OOP.

A versão nova da resposta tem exemplos novos, mas é repetição do que eu já disse, não vou comentar especificamente.

O potencial do PHP em diferentes paradigmas

Concordo com quase tudo nesta seção. Faço algumas ressalvas ou ressaltos.

PHP costuma ser usada para coisas relativamente triviais. É uma linguagem de script.

Imperativo é diferente de procedural ou funcional, que também são diferentes entre si. Não é só que um usa procedimentos e outro usa funções, bem longe disto definir estes paradigmas (não vou entrar em detalhes, quem tiver dúvida, faça perguntas específicas).

Imperativo realmente não vai desaparecer e é totalmente ortogonal com vários outros paradigmas, incluindo OOP.

Procedural também é ortogonal, mas nem tanto. A maneira de organizar um ou outro é diferente, em certo ponto específico você escolhe um ou outro, mas pode misturá-los na aplicação como um todo.

Eu vejo as pessoas realmente tendo muito problema com OOP, em todas as linguagens. OOP não é tão simples quanto vendem. É verdade que as pessoas também têm problemas com procedural. Mas é porque elas não aprenderam desenvolver softwares de uma maneira geral, e isto, me parece, ocorre mais em PHP que outras linguagens. Até vejo mais ainda em webdev em geral. Parece haver "paraquedismo" maior nesta área.

Concordo 100% que procedural é mais fácil e como ele costuma resolver, sem problema algum, a maioria dos problemas que o PHP costuma trabalhar, ele deve ser a opção default, pelo menos de quem não tem OOP como seu paradigma fundamental e que o domine absolutamente, o que talvez até seja um caso de martelo dourado. Tentar fazer o que não entende é pior que fazer com a "melhor ferramenta".

Me escute! Prefira um machado do que uma moto-serra se não souber usar uma. Mesmo que não saiba usar o machado também, e de qualquer jeito tenha que cortar a árvore. Claro que eu prefiro que aprenda usar ambos antes de fazer isto. Mas isto ninguém escuta. Uma pessoa bem treinada no machado será bem rápida e não vai se machucar. Na moto-serra ela vai morrer antes de conseguir treinamento adequado. Eu falo isto e as pessoas não escutam. Vejo isto o tempo todo. E as pessoas que são bem treinadas costumam incentivar o sujeito a largar o machado e ir pra moto-serra achando que elas vão se auto-treinar magicamente, afinal elas conseguiram fazer isto e acham que todo mundo consegue fazer o mesmo. Bem treinado, na árvore certa é possível se beneficiar da moto-serra. Embora o risco sempre será maior e quando erar, o estrago também será. É claro que estou falando de procedural e OOP ainda. Parece que lenhadores são mais espertos que programadores. Eles usam os dois.

Ultimamente tenho percebido que quem aprende OOP primeiro, e até bem, tem dificuldade de entender procedural corretamente, talvez até por ela ter uma visão do que OOP é, que, no mínimo, eu discordo.

Polêmica

No campo absolutamente pessoal, então não tome isto como verdade absoluta.

Eu acho que muitos proponentes de OOP devem ter lido algum livro que vendeu OOP de forma marketeira. Esta forma coloca OOP de forma tão genérica que a sua definição serve para boa parte dos paradigmas. Ou seja, ela fala sobre organizar código.

Se for isso, então eu programo OOP há mais de 30 anos em tudo que faço, antes de ter alguma linguagem mainstream suportando isto "oficialmente" e eu nunca ter ouvido falar no termo.

Mas acho que OOP é muito mais que isto. E a maioria das definições sobre OOP encontradas colocam requisitos muito maiores que os citados genericamente. Pra mim a definição genérica de OOP é essencialmente a mesma da modularização. Ou seja, ela tenta "sequestrar" algo que não é dela. Assim como músicas de qualidade questionável, como "funk", "sertanejo", e "pagode" que usam nomes de outros gêneros musicais originais e mais antigos, que tinham qualidade, para tentar se validar.

OOP não tem méritos próprios?

Dentro da especificação mais estrita eu acho OOP bem válido para vários problemas. Quando se diz que OOP é uma forma de encapsular, de por as coisas juntas, de separar responsabilidades, fazer reuso de forma geral, de abstrair, pra mim é outro paradigma. OOP não pode pegar o que está presente em outros paradigmas, não colocar mais nada e dizer que é algo diferente. Não pode dizer que só colocar o substantivo na frente do verbo seja uma inovação que muda o paradigma. Isso é só sintaxe. Dá pra fazer isto no procedural.

Ah, polimorfismo puro não dá a robustez esperada. Ele implementado de forma estática é que dá.

Em perguntas citadas aqui eu falo com mais detalhes sobre o que eu e muita gente vê em OOP.

Discorda disto? Ok. Eu sei que existem duas vertentes do que é OOP. Aceito isto. Espero que quem discorda aceite isto também e não tenha a sua verdade como absoluta. Tem perguntas sobre o assunto. Vá lá, discorde e fundamente o que pensa.

Conclusão

É um direito de cada um procurar o que elas acham melhor pra elas. Só quis colocar outra perspectiva. Em nenhum momento digo que está errado usar OOP. Pelo contrário, eu o uso.

Faça o que você domina e se sinta mais confortável. Comece pelo simples. E vá procurando soluções para os problemas quando for percebendo que eles surgem. Não resolva um problema que não existe. Dê uma passo de cada vez. Não force o uso de uma paradigma sem necessidade. Entenda o que está fazendo, não siga receitas.

Não faça porque todo mundo está fazendo. Se questione se está tomando a decisão certa. Questione pessoas mais experientes com dúvidas específicas. Aproveite a experiência delas para acelerar a sua. Mas não queime etapas.

Eu acho justo a pessoa querer evoluir, dominar novas ferramentas, entender tudo o que ela pode fazer. O que eu acho estranho é quando a pessoa decide o que é bom pra ela sem entender como usa aquilo direito. E passa ignorar outras formas que podem ser melhores. E desiste de evoluir de outro jeito que pode ser melhor pra ela.

A maior falácia que vejo sobre OOP é que isto organiza códigos. Ele ajuda! Como outras coisas ajudam. Quem sabe o que está fazendo fará bem em qualquer paradigma. Quem não sabe, produzirá um desastre em qualquer paradigma. Mas será mais fácil produzir desastres em um que ele não domina.

Hoje vejo que a pessoa não aprende bem o procedural porque não há incentivo em aprender bem e não aprende bem OOP porque ele é mais difícil de aprender "certo".

Tem coisa que faz diferença usar um processador de alimentos ou um liquidificador. Tem coisa que dá na mesma.

Por que tem gente que prefere conscientemente usar a faca se o processador é tão bom? Por que usar lâmina de barbear se a máquina é melhor? Por que usar o telefone fixo se o celular resolve tudo? Por que usar outros paradigmas se OOP resolve o problema melhor que eles?

Fora estes frameworks complexos - e eu questiono bastante o uso deles em PHP - e alguns casos bem específicos, eu raramente vejo uso válido para OOP em PHP no nicho onde ele brilha.

Então abaixo dou um exemplo de como eu aplicaria OOP em um website comum em PHP:

 
 
 
 
 
 
 
 
 

:)

  • 2
    Estranho o voto negativo. +1 para fazer justiça. Concordo com tudo, salvo algumas poucas observações que farei na minha resposta atualizada. – utluiz 14/01/16 às 10:52
  • 2
    Esse último exemplo foi show hein kkk.. Obrigado pela resposta e pelos links, deu para fundamentar um pouco mais do conteúdo. Eu pessoalmente uso OOP apenas quando tenho um código bem massivo como de banco de dados, o resto faço sem mesmo usar funções, pois realmente discordo de algumas coisas que já li, que dizem ser melhor usar OOP em 100% do seu projeto fica organizado e blábláblá. Eu creio que depende do programador ter um código organizado e adequado e não de um padrão, etc. Obrigado aos dois que responderam, ambas respostas foram boas e complementais para o assunto, obrigado. – Leonardo Vilarinho 14/01/16 às 13:39
  • 3
    Como ninguém que negativa está dizendo porque fica claro que só pode ser: A) a pessoa não entende do assunto e acha que eu estou errado, se ela tem certeza que estou errado, ela falaria onde tem erro; B) Ela apenas discorda e acha que o voto serve para demonstrar isto; C) Apenas não gosta de mim e acha que eu mereço punição. – Maniero 21/01/16 às 19:19
  • 2
    @Edilson ok, respeito sua opinião. Eu discordo obviamente. Concordo que pode ter ficado um pouco confuso porque tem duas versões da resposta do utluiz. O que pode parecer contraditório é que eu não sou anti-OOP como alguns acham. Eu mostro que ele tem problemas, mas não é algo horrível que nunca deva ser usado. Ser imparcial não é fácil. Eu sei que as pessoas querem que se tome partido. Mas eu não faço isto. O que você percebe sobre o que está escrito é um problema exclusivamente seu. Eu sei o que eu sinto. Obrigado por justificar seu voto, pelo menos eu sei porque ele foi dado. – Maniero 22/01/16 às 14:15
  • 2
    Claramente você viu coisas no texto que não existem, como o fez com o texto do utluiz, então não vale a pena nem tentar debater ponto por ponto dos seus comentários, não vai levar a lugar algum. Eu encontro alguns erros conceituais no que está dizendo, e se eu tentar isto vai ficar longo demais. Você fez um relato pessoal, não quer dizer que seja válido para outras pessoas. Não lembro da pergunta sobre patterns, mas acho muito pouco provável que eu tenho dito o que está afirmando, eu acho que disse algo parecido e você entendeu outra coisa, parece ser comum isto acontecer. – Maniero 22/01/16 às 14:16

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